O Escritório da OEI no Peru desenvolve iniciativas voltadas ao fortalecimento da educação, da ciência, da inovação e da inclusão, em estreita colaboração com as instituições nacionais. Entre elas, destaca-se o projeto “Somos mujeres y hacemos ciencia en el Perú”, que se consolidou como uma das iniciativas emblemáticas da OEI. O projeto visa a incentivar o interesse pelas áreas científicas, dando visibilidade a referências femininas e promovendo a igualdade de gênero nas carreiras STEM. Por meio de uma série de produções audiovisuais, o projeto reuniu, até o momento, os depoimentos de 15 cientistas peruanas de diferentes regiões do país, com o objetivo de aproximar a ciência de meninas, adolescentes e jovens.
As cientistas participantes atuam em diferentes disciplinas dentro da ciência, como ciências básicas, engenharia, saúde, meio ambiente e pesquisa aplicada. Essa diversidade permite mostrar as diversas oportunidades oferecidas pelas carreiras científicas e tecnológicas, bem como a contribuição das mulheres para a produção de conhecimento no país.
A partir de suas próprias experiências, as cientistas compartilham as motivações que as levaram a escolher uma carreira STEM, os desafios que enfrentam ao longo de suas trajetórias e o impacto de seu trabalho na sociedade. Seus depoimentos apresentam a ciência como uma ferramenta capaz de gerar mudanças positivas.
O principal público do projeto é formado por estudantes e jovens, especialmente mulheres, a quem busca motivar a conhecer mais sobre ciência e a considerar esse campo como uma possibilidade profissional. Nesse sentido, os conteúdos audiovisuais funcionam como um recurso de orientação vocacional construído a partir de relatos próximos e inspiradores.
Por ocasião do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, foram realizados dois encontros híbridos do projeto, que ultrapassaram 800 visualizações e ampliaram o diálogo entre cientistas e estudantes.
Outra linha prioritária da OEI tem sido a educação intercultural bilíngue e a revitalização das línguas originárias. Nesse contexto, o projeto “APP Lenguas Originarias de América Latina y el Caribe”, disponível gratuitamente e que inclui a língua quíchua colla, destaca-se como uma experiência inovadora que integra tecnologia e perspectiva intercultural.
Após um projeto-piloto realizado em 202 escolas públicas de Cusco e Puno, que alcançou mais de 5 mil estudantes, a iniciativa demonstrou melhorias na aprendizagem do quíchua como segunda língua, além de um aumento de seu uso nos ambientes escolar e comunitário, contribuindo para o fortalecimento da identidade cultural.
O projeto recebeu reconhecimento internacional. O aplicativo foi apresentado no Brasil e na Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola (CILPE 2025), realizada em Cabo Verde. O BID também considerou o projeto-piloto como um caso de sucesso.
Na área da transformação digital, a OEI apoiou o projeto Plataforma Educativa Offline, selecionado no âmbito dos fundos de financiamento lançados por ocasião do 75º aniversário da Organização. Liderada pelo Ministério da Educação, a iniciativa foi escolhida entre mais de 1.700 propostas.
A iniciativa propõe uma solução tecnológica offline para distribuir materiais educacionais em comunidades rurais sem acesso à internet, contribuindo para reduzir a desigualdade digital e garantir uma educação mais equitativa.
Como parte do projeto-piloto, foram identificadas 14 escolas rurais em Arequipa, Ayacucho, Puno e Ucayali, com impacto potencial sobre 104 professores e mais de 1.400 estudantes. A implementação está prevista para o segundo semestre de 2026.
Os projetos mencionados só foram possíveis graças ao trabalho articulado com ministérios, universidades, organismos de cooperação internacional, organizações da sociedade civil, setor privado e meios de comunicação, contribuindo para uma sociedade mais justa e com igualdade de oportunidades.
Nos próximos anos, o Escritório da OEI no Peru continuará fortalecendo essas parcerias para desenvolver iniciativas que ampliem o acesso a uma educação de qualidade, promovam a ciência e a inovação e contribuam para o desenvolvimento sustentável do país.